segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CAETANO, RUI E A BRUXINHA PATRULHEIRA




 

Caetano: Por que não estamos conseguindo fazer a postagem?!... O que está acontecendo?!...

Rui: É sempre você quem me pede para não fazer perguntas difíceis!... Você conseguiu entrar em contato com a Sisi?

Caetano: Não. É bem provável que ela também esteja tentando se comunicar conosco. Você não tem a sensação de estar sendo observado?!...

Rui: Talvez Verônica esteja tentando entrar em contato.

Caetano: Não. Não é Verônica!... Eu receio que estejamos presos em uma dimensão desconhecida. Eu sinto uma presença que não é benéfica!...

Bruxinha Patrulheira: Você está sentindo a presença da Bruxa Destruidora de Histórias, porque foi aprisionado em uma de suas câmaras. Você e o garoto devem ser muito especiais!... Aquela bruxa horrorosa conseguiu prendê-los, mas não conseguiu levá-los.

Rui: Quem é você?!...

Bruxinha Patrulheira: Sou uma das Bruxas Patrulheiras. Eu e minhas amigas protegemos os contos de fada. A Bruxa Destruidora de Histórias captura vários personagens e depois os obriga a atuarem em histórias que eles desconhecem. Os contos ficam embaralhados, e os personagens não conseguem mais se libertar. A que história vocês pertencem?

Caetano: Não pertencemos a história nenhuma.

Bruxinha Patrulheira: Mas estão escrevendo sua própria história!... Quem os criou os amou tanto que lhes deu vida. Vocês são inteligentes demais para se encaixarem em uma história que os obrigaria a repetir sempre as mesmas falas. A Bruxa Destruidora de Histórias deve ter ficado furiosa por não ter conseguido colocar as mãos em vocês. Fechem os olhos e voltem à dimensão à qual pertencem.

Rui: Pai, agora que estamos de volta, poderíamos escrever uma história contando o que aconteceu.

Caetano: Esqueça, Rui, porque ninguém acreditaria!... Seria mais fácil pensarem que estamos mentindo ou, na melhor das hipóteses, inventando!... A verdade é que ninguém acreditaria em nós!... 





sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O HOMENZINHO E O GATO DO GIGANTE



O homenzinho, que havia sido capturado pelo gigante, costumava dizer: “Eu confiei em você... Você disse que era justo e bom... Você prometeu que cuidaria bem de mim e me libertaria quando tivesse juntado trezentas moedas de ouro. Quantas moedas conseguimos ganhar hoje?...”

O gigante costumava responder: “Poucas, pouquíssimas!... Ainda faltam muitas!... Por que você vive reclamando?!... Eu sempre cuidei de você!... Só o que peço é que dance para entreter o meu público. A promessa ainda está de pé: quando eu tiver juntado trezentas moedas na caixa, você estará livre.”

O homenzinho não se cansava de perguntar: “Quantas moedas existem na caixa?!...” O gigante respondia: “Poucas, pouquíssimas!... Ainda faltam muitas!... E elas não aumentarão se você se recusar a trabalhar.”

Certo dia, exausto de tanto dançar, o homenzinho deitou na caminha que o gigante havia colocado para ele dentro da gaiola. Ele se sentiu incomodado ao perceber que o gato do gigante o observava. Com certo receio, ele perguntou: “Por que você está me olhando desse jeito?!... Não está pensando em me comer!... Era só o que me faltava!...”

O gato exclamou com desdém: “Você é burro mesmo!... Não sei por que perco o meu tempo tentando ajudá-lo!... Você não frequentou a escola?!... Não aprendeu a contar?!... Eu aprendi só de ouvir o filho do gigante resolver as contas em voz alta. Todos os dias, eu ficarei observando e contarei as moedas que o gigante tirar do bolso. O mesmo número de moedas que ele colocar dentro da caixa será o número de risquinhos que farei no chão, perto de sua gaiola, com minhas garras afiadas.”

Preocupado, o homenzinho perguntou: “E quanto às moedas que estão dentro da caixa?!... Não podemos nos esquecer delas.” O gato exclamou: “Aquelas moedas ficarão sim no esquecimento, porque não sabemos quantas são. Começaremos a contar a partir de agora. Quem não conhece os números fica sempre com o prejuízo!...”

O homenzinho se calou, porque percebeu que o gato estava certo. Na escola, ele sempre tivera dificuldade em Matemática, e nunca se preocupou em aprender. Agora, para sair daquela enrascada, ele precisava confiar no gato do gigante.

Aproximadamente um mês depois, o gato disse ao homenzinho: “Faltam apenas dez moedas. Se o gigante tirar dez ou mais moedas do bolso, você estará livre.” Naquela mesma tarde, o gigante retirou treze moedas do bolso. Mas, quando o homenzinho perguntou quantas moedas havia na caixa, ele respondeu: “Poucas, pouquíssimas!... Ainda faltam muitas!... E elas não aumentarão se você se recusar a trabalhar.”

O gigante se surpreendeu quando ouviu o homenzinho afirmar: “Você mente. Mentiu para mim durante todo esse tempo. Só neste mês, eu consegui ganhar para você trezentas e três moedas. Quantas mais existem na caixa?!... Você não cumpriu sua palavra, e eu exijo que me liberte agora mesmo.”

O gigante esquadrinhou o rosto do homenzinho por alguns minutos. Ele custava a crer que a sua “mina de ouro” tivesse aprendido a contar!... Dessa vez, foi o homenzinho quem se surpreendeu, quando ouviu o gigante dizer depois de abrir a porta da gaiola: “Pode ir. Você está livre. Eu só o mantinha preso, porque conseguia enganá-lo. Agora, que você aprendeu a contar, eu prefiro libertá-lo a ouvir você dizer que não cumpro minhas promessas.”

Antes de partir, o homenzinho procurou o gato do gigante para agradecer-lhe, mas não conseguiu encontrá-lo. Ele já estava caminhando na gigantesca estrada, com seus pezinhos minúsculos, quando o gato apareceu de repente. Assustado, o homenzinho exclamou: “Por favor, não me coma!... Eu estava mais seguro naquela gaiola!...”

Dando de ombros, o gato exclamou: “Você é burro mesmo!... Não sei por que ainda perco o meu tempo tentando ajudá-lo!... Suba nas minhas costas. Eu não poderia  deixá-lo fazer todo esse percurso sozinho.”

Talvez fosse desnecessário dizer que o homenzinho e o gato se tornaram amigos inseparáveis e viveram felizes para sempre, porque eles eram muito espertos, e ninguém conseguia enganá-los.




quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

MARCÍLIO E O SENHOR DOS DESTINOS



Marcílio era o nome do homem que já havia morrido cinco vezes e, sempre que entrava no céu, ouvia o senhor dos destinos dizer: “Não, não, não, não, não!... Aqui você não pode ficar!... Você terá que nascer novamente e viver sua vida outra vez. Seus pais serão outros, seu corpo será outro, seu nome será outro, e as circunstâncias também serão diferentes. Na sua última vida, você não aprendeu nada!... Agora terá que retornar!...”

Ouvir o mesmo discurso quatro vezes já havia sido terrível!... Ouvi-lo pela quinta vez era mais do que Marcílio poderia suportar!... Revoltado, ele gritou: “Você é um incompetente!... Não sabe o que está dizendo!... Eu exijo falar com o seu superior!... Eu quero que ele me diga o que foi que eu ainda não aprendi, se é que deixei de aprender algo!...”

O senhor dos destinos, sem alterar o tom de voz, disse pacientemente: “Eu lhe farei uma pergunta. Se você conseguir responder ‘sim’ a essa pergunta, poderá permanecer aqui... Você aprendeu a ser feliz?”

Após alguns minutos de silêncio, embaraçado, Marcílio olhou para o chão e respondeu: “Não.” O senhor dos destinos disse: “Então, você não aprendeu nada e terá que retornar!...”

Marcílio ainda tentava reverter a situação quando exclamou: “Isso não é justo!... Para ter sido feliz, eu teria que ter feito o que eu desejava!... Mas havia sempre alguém dizendo que eu não poderia ser egoísta!... Que eu não deveria pensar só em mim!...”

O senhor dos destinos encerrou o encontro dizendo: “A única exigência que a vida lhe faz é que você seja feliz. Não se pode agradar a todos, sem entristecer o próprio coração.”